Plastimodelismo




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História da loja e seu propósito



Loja Hobby Model Shop

Loja HOBBY MODEL SHOP, em Setembro de 1998


A Hobby Model Shop era a minha loja de Plastimodelismo. Ela tinha uma página própria, na qual eu centralizava os assuntos sobre modelismo. Depois que eu fechei a loja em caráter definitivo, a página perdeu a razão de ser. Desse modo, optei por desativá-la, mas mantive esta seção, aqui na minha página pessoal, de modo a contar a sua história.

É difícil precisar onde começa a história da minha loja. Talvez comece quando eu entrei pela primeira vez numa loja de modelismo e devo ter imaginado (que modelista, quando criança, nunca imaginou isso?) como seria se o meu pai fosse o dono.

O tempo passou e além de simples aeromodelista (e, depois, também plasti) acabei me tornando um entusiasta da aviação "de tempo integral". E foi seguindo essa vocação que, em 1982, vim parar em São José dos Campos.

Porém, foi com certa decepção que descobri que a realidade daqui era muito diferente da qual eu imaginava, lendo livros e revistas sobre a indústria aeronáutica nacional. Parte da decepção foi justamente a falta de idealismo e da chamada "mentalidade aeronáutica" nas pessoas, até mesmo dentro da própria aviação.

Durante anos lutei contra isso. Freqüentei aeroclubes, montei clubes de pára-quedismo, de modelismo, organizei shows aéreos, cursos (até gratuitos)... até que o desemprego e a falta de recursos me venceram. Em 1990, fui demitido da Embraer e, com o agravamento da crise na indústria local, tive de trabalhar como autônomo. Como resultado direto, mantive-me afastado da Aviação durante sete anos.

No início de 1997, não suportei mais esse afastamento e comecei um planejamento para voltar à ativa.

Deduzi que a falta de interesse do povo daqui se originava da falta de estímulos. Lembrava-me de que em Sorocaba (cidade em que me criei), embora fosse na época uma cidade relativamente pequena, havia mais entusiasmo e todo ano tinha festa no Aeroclube, com Esquadrilha da Fumaça e tudo mais.

Era isso que faltava!

Decidi que era preciso fazer alguma coisa. Precisava criar algo que pudesse estimular, incentivar, colocar a Aviação no coração das pessoas. Afinal, conseguir isso não deveria ser tão difícil, pois estávamos na tal "Capital do avião".

Mas o que fazer, sozinho, sem tempo e sem dinheiro? Trabalhando como autônomo eu perdera contato com o pessoal ligado à Aviação e, por outro lado, estávamos numa época de crise (aliás ainda estamos) e eu não tinha recursos e nem poderia parar de trabalhar.

Uma solução viável seria aliar o trabalho com o idealismo. Mas, para isso, eu precisaria de uma empresa que me possibilitasse contato com todo tipo de entusiasta "aéreo" e, ao mesmo tempo, servisse como "quartel general" para os meus planos. Nasceu então a idéia de abrir uma loja de plastimodelismo, em paralelo com a minha firma de serviços.

Ainda no início de 97, fiz os primeiros contatos com distribuidores, visitei shoppings, mas ainda faltava o principal: Dinheiro para montar a loja e para a devida divulgação.

Mas, em Julho, um golpe de sorte selou meu destino (ou melhor, o da loja): Haveria uma festa aviatória em comemoração ao aniversário da cidade e consegui reservar um stand para fazer o lançamento da loja.

Foi uma correria. Faltavam duas semanas para o evento e eu mal tinha dinheiro para pagar o stand, como faria para conseguir as mercadorias? Escrevi para várias distribuidoras de modelismo, expondo o problema e perguntando (perguntar não ofende) se eles poderiam me fornecer material em consignação.
Fato interessante é que eu já havia contatado essas mesmas empresas no início do ano, quando começara a pensar sobre a loja. Todas foram muito gentis e solícitas na ocasião, exceto uma.
Porém, quando ouviram essa minha proposta (sobre a festa) todas foram gentis e solícitas em me deixar na mão, exceto uma: Precisamente aquela que havia me "dispensado" no início do ano! Coisas da vida.
Eles me forneceram mais de três mil dólares de material, em confiança (Eu deixara um cheque de garantia, mas todos sabemos que isso não é garantia de nada. Foi confiança mesmo!).

A festa foi nos dias 26 e 27 de julho de 1997, sábado e domingo. Na segunda-feira eu estava com a loja montada na garagem de casa.

O crescimento, então foi rápido.

Criei um curso (gratuito) básico para iniciantes, aos sábados e o número de modelistas cresceu bastante.

Aliado a isso, a loja serviu como ponto de encontro dos modelistas veteranos da cidade (incluindo cidades próximas e alguns até do Rio e SP, que trabalhavam ou tinham parentes por aqui), muitos dos quais não se conheciam. O grupo foi crescendo e culminou na criação de uma seção local da IPMS Brasil.

Porém, com a desvalorização do real, no início de 1999, as vendas despencaram e as coisas começaram a ficar difíceis. Além disso, eu tinha faturas a vencer (em dólares!) das compras que havia feito no final do ano anterior. Para tentar fazer caixa, eu fui obrigado a liquidar, vendendo kits até por menos do preço de custo (antigo). Consegui pagar as dívidas, mas com o faturamento quase zero e com os novos preços, eu não tinha como repor o estoque.

No início de 2000, a situação já beirava o impraticável. Exceto a minha, todas as lojas da cidade, que também vendiam plastimodelismo (cinco ao todo), já haviam fechado ou deixado de trabalhar com este material. Passei a abrir a loja somente nos finais de semana e tentei trabalhar com encomendas, mas não consegui contornar a situação. Em agosto de 2000, tomei a decisão de fechar a loja, ao menos temporariamente.

Dessa forma, enquanto tentaria tomar novo fôlego (nem sei dizer, ao certo, de quanto fora o meu prejuízo com a loja), aproveitaria para reformar a parte da frente minha casa (onde era a loja e ainda é o escritório da minha firma), de modo a conseguir espaço para iniciar a construção da réplica do Me-109. Meu plano era, terminada a reforma, reabrir a loja nem que fosse numa versão reduzida, de modo a fornecer ao menos os materiais básicos.

No entanto, as dificuldades financeiras, o alto custo do material (com dólar a 3 reais) e a retração do mercado me convenceram de que não seria uma boa idéia e acabei desistindo definitivamente da coisa.

Lauro Ney Batista







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